Por Jean Moura
Os velhos são os melhores. A experiência de vida, a sabedoria nas
palavras, a tranquilidade nas ações, a perspicácia no olhar e o controle de si
mesmo são algumas das características dos muitos jornalistas que hoje não mais
exercem a tão excitante profissão das palavras: o Jornalismo.
À base de um bom café, velhos jornalistas ficavam acordados a escrever e a
reescrever por longas noites frias e solitárias, textos para seus Jornais,
tendo seus olhos a se fecharem, involuntariamente, uma vez ou outra, pelo
cansaço do sono. Mesmo assim, amavam o que faziam. Tudo por amor àquele antigo
Jornalismo de outrora.
Para muitos desses amantes, o Jornal era um tipo de porta que se abria para o
mundo, pois era ali que tudo se mostrava claro: Seus pensamentos, suas visões
de mundo, suas parcialidades, seus anseios e seus sonhos.
Quem escreve, escreve por amor. Há quem escreva por dinheiro, mas digo que
esses não valem a caneta que usam. Ser jornalista é fazer valer a pena cada
tinta de caneta que se gasta para escrever. Um amor que não se podia medir, nem
tão pouco imaginar, esse era amor real de quem fazia o velho Jornalismo.
Ser jornalista é bem mais do que ter em mãos caneta e papel. Além dessas
coisas, é preciso ter nos olhos a sensibilidade de reconhecer o mundo que lhe
cerca, ser justo e ter a consciência que as palavras constroem o mundo, mas que
também podem destruir em um piscar de olhos.
Jornalismo é: Arte das palavras. Jornalista é: Artista que usa as palavras para
transformar o mundo.
Para ser artista é preciso possuir uma alma passiva, para não se corromper com
as dores e os sofrimentos dos homens, mas é necessária também
de uma alma agressiva, sedenta por verdades que se escondem nas esquinas das
farsas da sociedade.
O Jornalismo que conhecemos hoje não surgiu do nada, ele tem uma vida e uma
história, uma bela história de amor. Amor este que não está nas histórias de
príncipes encantados, castelos ou princesas, não. Mas de um amor que surge e se
ergue sem esperar futuras recompensas gananciosas que enchem os olhos humanos,
como o dinheiro, os status e a fama. Dedicação, paciência, foco, decisão,
autonomia e imposição são regras primordiais para se chegar pelo menos a um
amor essencial pelo surpreendente mundo do Jornalismo.
Um leve amor sutil que desabrochava- se sem perceber, fora a razão que fez no
passado (E creio que ainda faz nos dias de hoje) despertar tão belas virtudes
àqueles que amaram a arte de escrever. O amor que levara muitos a escrever nas
madrugadas solitárias, sem perceber que as horas estavam a voar depressa, sem
sombras de dúvidas, foi o maior segredo do sucesso de todos esses Velhos
Jornalistas.
Só os longos anos são capazes de dar uma experiência e tranquilidade
profissional ao jornalista. Por isso, é preciso se empenhar para que um dia no
futuro seu reflexo no espelho torne- se a igual de um bom e Velho Jornalista.
Neste caso quanto mais velho melhor, pois, a velhice não é uma questão de idade,
e sim de espírito.
O quão duro não deve ser para esses antigos mestres das palavras não poderem
mais desfrutar dos prazeres que as palavras oferecem? As únicas palavras
capazes de estancar a dor que sentem e de exprimir fisicamente seus pensamentos
seriam essas:
“Ah, que saudades tenho da aurora da minha vida, Da minha infância querida que os anos não trazem mais. Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais”. (Casimiro de Abreu).
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