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(Foto: Alice Andrade) |
Por Matheus Soares
No início da década de 90,
milhares de jovens se engajavam no movimento Fora Collor e iam às ruas
protestar; na televisão, eles assistiam o seriado “Anos Rebeldes”, com Malu
Mader e Cássio Gabos Mendes, que instigava o sentimento de revolução nos
estudantes brasileiros. Em Natal, o aluno do terceiro período de Geologia da
antiga ETFERN, instigado pela professora de português, resolveu apenas concluir
o curso técnico e partir para a área de comunicação.
Em 1996, tentado pela capacidade
de contar histórias e entrevistar pessoas, o seridoense Paulo Araújo iniciou o
curso de jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
quando os textos eram feitos em máquinas de datilografia.
Sua turma
viveu a transição do analógico para o digital, e em 1998 viu pela primeira vez
uma máquina fotográfica digital. “Um fotógrafo da Folha de São Paulo veio,
tirou as fotos e passou para o laptop dele. Enquanto nós usávamos filme”,
comenta Paulo.
Sua turma, segundo ele, foi
aquela que logo cedo entrou no mercado. “Cada um foi se virando”, diz. Depois
de passar por uma curta experiência no jornal impresso, Paulo conseguiu, no
terceiro período, um emprego na televisão pública da universidade, a TVU. Começando
primeiramente na produção, ele fazia notas, pautas e marcava entrevistas;
depois partiu para a reportagem em si. “Descobri que escrever a matéria dentro
do carro enquanto você volta é uma arte”, declara.
Em 2000, recém formado, Paulo
descobriu o Curso Abril de Jornalismo na propaganda das páginas da revista
Veja. Mesmo com medo, ele decide ir à seleção do curso. “O desafio proposto era
você escrever um texto sobre si e o porquê de ter escolhido jornalismo como
profissão”. O jornalista conseguiu ir para a segunda etapa, uma entrevista em
Recife, e foi selecionado no resultado final.
Porém, uma semana antes de
embarcar para São Paulo, ele foi acometido por uma crise de apendicite. “A
minha família dizia para eu não ir”, falou Paulo. Mas, mesmo assim, ele
embarcou ruma à cidade, para passar um mês na editora Abril.
Sem nunca ter ido à metrópole,
Paulo diz que “foi tudo que sempre sonhou”. Fez seu curso na revista Veja, a
mesma em que viu a propaganda, e ralou bastante para acompanhar o ritmo dos
profissionais de lá. “Lá ninguém tem tempo de te orientar, dado pelo
corre-corre de uma semanal. Mas a gente do nordeste vai lá e faz”, relembra o
jornalista.
Indagado sobre as diferenças do
mercado potiguar e do paulista, ele destaca o profissionalismo dos paulistanos.
“Você combina um preço com os editores e eles te pagam o combinado, você se
sente valorizado”. Mas, segundo ele, o mercado natalense evoluiu bastante
nesses últimos anos: “Os salários estão ficando cada vez melhores, naquela
época só existiam quatro lugares para trabalhar. Ou você ia para fora ou ficava
aqui e acabava saindo da profissão”.
Destemido, Paulo foi mais para
“fora” e, depois de passar seis anos na editora abril e uma rápida passagem
pela editora globo, viajou à Angola, em convite do governo de lá, para criar o
primeiro jornal de economia do país. Junto com outros jornalistas, ele procurava
e orientava profissionais locais para fazer parte da equipe. “Procuramos
profissionais em lugares que poderiam ter alguém com capacidade, como seminários
de padres”, afirma.
Após passar três meses no
continente africano, Paulo decide voltar ao seu estado natal e aceitar o cargo
de Adjunto de comunicação da prefeitura, em 2009, o qual exerceu por seis
meses. Ainda em casa, ele assume a direção da TV Ponta Negra, por dois anos, e
volta a trabalhar com telejornalismo.
Em junho do ano passado, Paulo é
convidado a dirigir a Sim TV, emissora também potiguar, e teve a função de
organizar a grade de programação. Além disso, o jornalista não deixou de lado a
escrita e ainda era cronista e repórter das revistas locais Glam e Viver Bem.
No entanto, mesmo com a temporada
local - que segue até hoje, com o lançamento do seu livro “Como se fossem
letras” - Paulo afirma que não esquece a maior metrópole do Brasil: “Sempre
volto a São Paulo em dois meses” – inclusive, em breve o jornalista voltará à
metrópole para um treinamento da BBC, pois trabalhará como correspondente da
empresa na copa do mundo. E diz que o essencial de um jornalista é não ter
medo, é achar que o mundo não é só sua cidade natal, e foi da sua zona de
conforto que Paulo Araújo saiu para conquistar o mundo.
O PRIMEIRO LIVRO
O que seriam dos historiadores
sem os jornalistas? São aos jornais que os pesquisadores recorrem,
frequentemente, para analisar a sociedade de uma determinada época e para
coletar informações que surgem nas matérias. No entanto, aos jornalistas só
restam as notícias efêmeras e o reconhecimento, geralmente, passageiro.
Com o objetivo de fincar seu
trabalho na história, Paulo Araujo resolveu criar o livro “Como se fossem
letras”, da editora Jovens Escribas, mostrando seus trabalhos jornalísticos
atemporais. São 23 textos, dentre eles duas entrevistas, cinco reportagens,
seis perfis, sete ensaios, uma crônica, um conto fictício e um prefácio do professor Vicente Serejo.
Sobre a origem do título, ele
explica que a frase foi dita em 2003 por um guia de um sítio de pinturas
rupestres em Currais Novos, quando um grande amigo do jornalista perguntou o que
aquelas pinturas significavam. “Era meu desejo responder isso quando
perguntassem o que era meu livro”, declara o jornalista.
A ideia do livro, ele conta, surgiu
após voltar de Mossoró, cidade no alto oeste potiguar, em novembro do ano
passado. Ele explica que, depois de servir como mão de obra às empresas, estava
na hora de fazer o próprio livro: “Era hora de ter uma coisa feita para o meu
prazer, lançar um livro é algo inexplicável”.
Após conversar com seu antigo
professor de jornalismo, Vicente Serejo, ele decidiu por o livro em prática. Foi
um mês e meio de produção, na escolha dos vinte e três textos que seriam
utilizados. “Imaginei-me sendo o comprador. Queria que fosse gostoso de ler”, afirmou
o jornalista, que selecionou, primeiramente, cinquenta redações, cortou vinte e,
depois, chegou ao número final.
Esses textos, ele conta,
objetivam ensinar aos jovens profissionais, contando relatos dos bastidores e
noções de técnicas jornalísticas. Segundo ele, seu objetivo não é a produção de
um material didático, mas sim reunir suas melhores matérias como meio de
entretenimento e conhecimento de forma simultânea.
Sempre visando o compartilhamento
de conhecimento, o jornalista já está organizando o seu próximo livro. Paulo
conta que já escreve dicas de jornalismo no facebook e pretende as transformar
em obra. Mais um modo de quebrar as barreiras do jornalismo e
consolidar seu trabalho na sociedade.
Quer o livro autografado "Como se fossem letras" de Paulo Araújo?
Nós vamos sorteá-lo!
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(Foto: Alice Andrade) |
Para concorrer basta:
2) Compartilhar a foto
3) Clicar em "Quero participar" no
link
OBS: Promoção válida somente em Natal, Parnamirim e Mossoró.